Eu Imaginário

“...A conversa terminou aí. Ele se foi e nunca nos mandou os tais poemas de base, que, como prevíamos, jamais foram escritos. Redigir manifestos sempre foi uma mania das vanguardas, quase sempre prometendo coisas que não se realizam..."

Domingo, Janeiro 11, 2009

Eu Imaginário

Terça-feira, Dezembro 04, 2007

OCTETO MAIS UM PARA A PAIXONITE PROZAC DESDE SETE DE JANEIRO DE DOIS MIL E SETE - EM QUE EULÁLIA SE RECONHEÇA, TOMO I


Um pouco é amolação

o outro é estima.

Se não falei, deveria.

Ficar se há, ocupando o quê com pontos.

Se você estranhar,
não fui eu,
fora.

Acostumou com o feioso
mas pode ser inteligente o fiasco;
logo não arriscaria talvez
com um prontinho em fôrma.

Um eu lhe incompleto,
se você tonta,
bastou.

Se você varanda,
um quarto pro sono, pra mim cama.

Amei antes de dar conta.

Terça-feira, Novembro 20, 2007

no quarter


1. agora tá o entendido pelo não dito...

...as pessoas substituem os outros por um bom senso transitório: quando acabam no ponto morto voltam dois degraus e se comovem.

2. todas as formas de se evitar são compartilhadas.

e todo gesto de carinho é permitido na casa do "somente":

somente faço isso porque quero.

3. as pessoas sempre podem escolher outras pessoas independente do grau de penetrância emocional.

"seja sempre um doce!"

se fode, bacana.

4. de aleluias meu café tá cheio...

(ou antes de se evitar deixe um recado no espelho)

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

singleto


as pessoas não se conhecem nas segundas;
uma de cada três preferem um cabeludo;
emagreci três quilos no último mês:
ela corre e corre,
mesmo que eu não o faça nem por um segundo.

as desculpas começam com um imperativo,
se convencem pelo conteúdo emocional,
mas falecem quando não corrompem o degredado.

ela umedece os lábios quando passa um brilho;
dois mais dois em um chateau o torna uma confraria notavelmente monótona;
prefiro os peitos pequenos de mão,
aos peitos volumosos de da Vinci,
aos peitos em conteúdo Jane Fonda,
e aos peitos que nunca suspeitei querê-los.

se todo cuidado fosse pouco,
um de cada três ficaria aliviado;
quando fiz vinte e cinco anos aprendi que sexo era mais fácil, mais higiênico e mais falastrão do que antes proposto por Natália.

sem querer acabo me socorrendo,
com o oxigênigo singleto borbulhando na boca a beira da hipóxia,
com as mãos avermelhadas de correria,
e ainda assim, acompanhado por uma, duas
ou três porcas sem parafuso:

cada peça de uma mecânica é, por definição, um atentado individualista.

Sábado, Novembro 03, 2007

Um trem sagrado


50% das pessoas mudam com o cabelo.
O resto troca de cidade, de par, de sexo ou de opção de cardápio.

Fico sempre com os 50%.

Sábado, Outubro 06, 2007

Brie


se a mulher quer um pau ela acha. um pau que saiba somar, cozinhar e entender um choro é outra coisa:

merda de sociedade quadrada. tudo mal ensaiado, um tanto de cabeça quebrada.

eu quero é um queijo.

macio, redondo, com covinhas
& com os pés na mesa...

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

gatos e vibradores



...estou pensando que nada funciona.

...estou pensando em comprar gatos.

...eu falo demais.. penso demais.. e hoje estou azeda como caju verde:

- o que coça é um bicudo neste inferno das calças! -

menu


O menu se instaura em fatias de linhaça:

Sexo,
literatura & champagne pros intelectuais.

Sexo,
panfletagem & cerveja pra esquerda liberal acadêmica.

Sexo, amanhã & dureza pros meus
e pros seus rebentos,

lovely Rita...

Os extraordinários de momento
se tornam supositórios de salmoura:

quando evitar é prolífico,
favor evitar com a candura das maricotas
- que se assemelham a pré-datados,
quando acabam por se exceder na besta hora -

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

dominós e diários


...
- ela degusta um por um...
- dos dias ?
- é, quando eles cabem nas duas mãos - de preferência (ou quando vazam, e sujam o colo de intemperança).
- sobra amor?
- sobra! e sobra saudade.
- e o que a coloca em dia com seus ritos de passagem, com suas dízimas de mulher compenetrada com as horas que sempre lhe faltam ?
- a penetrância.
- como um íntimo que não se distorce ou se desvencilha daqueles que a prezam e dotam ?
- sim, como dominós em filas de contorno, um por um passando na mente enquanto um ou outro afazer se torna monótono.
- e quando lhe cobram o direito de escolha ?
- perdem tempo, como forçando um sabão a se desgastar com toalhas.
- isso é dedução sua ?
- não, é surpresa com que os outros, vez ou outra, contribuem.
- como gozar dos costumes ?
- sim! é como aprender com dedos pequenos coçando o nariz quando o vento aperta,
ou quando o sorriso não cabe na boca.
- na boca?
- é, e quem conhece escolhe.
...

Domingo, Agosto 19, 2007

tamponando


valha-me senhor de um braço forte,
uma barriga quente
e sangue de bicarbonato.

valha-me das esferas carameladas dos seus olhos
(o que por vezes achei severamente guloseimico),
mas valha-me da tentação de procriar toda uma nova onda Sheldoniana,
sem perder no tédio as lamparinas da glória.

valha-me:
em pé, sentado
e na porta.

who cares?

Terça-feira, Agosto 07, 2007

bronha -bronha (ou antítese vespertina)


...chega da aula, põe uma sandália,
um pijama não muito sensual (na medida do conforto que a necessidade pede),
come algo crocante com um suco gelado, senta,
acessa o Orkut,
Capri slim no punho anelado,
ouve aquela coisa entre Jack johnson e Frank sinatra,
olha dois ou três e-mails
e, aguerrida,
tenta ver algum filme absolutista na HBO...até que o sono venha,
já que hoje é segunda,
e é o dia mais imperfeito da semana que se inicia com cara de travesseiro.

...se não fosse por mim e por ela,
e se não fosse assim,
bem que poderia...

Domingo, Agosto 05, 2007

Cê falou comigo ?



você tem um anticoncepcional
pra concepção errada das coisas,
baby ?

você pode,
me anular assim,
como se fuçasse o objeto imperfeito das critauras,
por debaixo das próprias calças ?

e se pode,
e se quer,
seria a melhor coisa do mundo,
friorenta, desnuda,telefonando às onze da madruga,
querendo o troço quente da vez?

- certas oportunidades só se revoltam quando prevenidas -

gases, náusea,
febre ?

não: insônia.

você pode,
me anular assim,
como se quisesse o objeto perfeito
de calça creme e mocassim Brooksfield,
pronto & passado,
na porta das suas Acaiacas ?

Olha...

cê falou comigo ?

porque se falou foi por um fio.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

patogênese existencialista

o iletrado bulímico devolve à sarjeta o que de torto ela delimita:

(pobre coitado, açoitado, 3x4 batido em carteira de salário assustado)

- nem ela na janta, nem ele a princípio,
e nem mesmo de dois em dois já conseguem um abrigo...

deixa marcado na cara que sua boa sorte é andar por aí prevenido,
criando lorotas tolas que enganam sua famigerada assistência feminina:

- quando ela volta de casa e resgata debaixo do braço um caderno de polivalências sobre as excentricidades da vida cotidiana que habitam suas mechas alisadas & satisfeitas com o equilíbrio estético bem resolvido.

o iletrado bulímico, combinado a má sorte, devolve à sarjeta o que de impenetrante o visita:

- a ausência de uma mensagem que de cor em cor se desvencilha
(como proparoxítonas coladas umas as outras, feito cirandas de particípios).

quando acontece dele se apaixonar novamente por aquela,
devolve em nacos artísticos uma sordidez nunca dantes apresentada:

- envolvendo sua bela esquisita em uma matinê de algodão doce pelo calcadão da Barra.

O iletrado bulímico faz aniversário,
presenteia,
e também devolve na cara
(quando deveriam acusá-lo de tolo,
está sempre deixando marcas).

poucas são as vezes em que os menos assitidos comemoram bodas de prata (lê, aflito)

mas também poucas são as vezes em que estão incluidos!

Domingo, Julho 22, 2007

INDEX

as pessoas se interessam por pessoas que tem outras pessoas no vernáculo republicano,
pois assim se tornam tótens de mármore vistosos,
ainda que menos amados.

as pessoas não se consolam com a entrada,
e deixam na genitália abatida um conceito eufemista de óbito humanitário.

meninas em verde eterno me deixam caduco & nostálgico, reformando rugas na testa toda vez em que, desnudas, se atrapalham:

- na rechonchuda cadeira espartana de feminilidade viril e coordenada -

(quando entrou na cabine e escolheu um biquini bacana?)

as pessoas preferem pessoas, e um Luiz Augusto Orlando não precisa de pessoa em si que não o traia:

- as damas de honra de nosso compasso são brancas, azuis e vermelhas -

Outro dia encontrei um trago que seria um postulado semiótico:

- Maria se apaixonou por Rodrigo que era pessoa de outra pessoa.

Quando as pessoas preferem sossêgo, ficam com as mãos e as cintas afrouxadas,
esperando que um qualquer democrata atrapalhe o seu sono na noite,
com um bafo de surpresa
na intempérie do coito:

all-star!

as pessoas se interessam por pessoas que tem outras pessoas em mente,
entrando na fila do primeiro tempo,
e afogando as mágoas com um outro problema que sempre desafoga criancinhas da rede interesseira do recomeço.

as pessoas apenas se interessam.

Domingo, Julho 15, 2007

Gabriel, perfeito...

...

Agora tô aqui coletando réplicas,
buscando a hipótese nula & o gosto amargo do desengano.

Mas admito cara,
que bem longe do fundo,
hipótese nula é o caralho!

...

Sábado, Junho 30, 2007

retirando cutículas


Em meu quarto, entre Kafka e Belchior,
dedico um orago a Santo Antônio,
que ganhou fama casando pessoas.
Acredito que ele me levará a esse tal de porto, que dos 13 aos 23 acreditava ser Liverpool, terra de John, Paul e Michael Owen.
Mas hoje, meu caro alter ego imaginário,
aprendi que esse porto é calcinha orvalhada,
saiote magro da ventura, osso, brinco, cartinhas coloridas, cara de sono, penetrância, aspirina, um gozo de coxa,
a busca da "trepa"
& carolas dezoito anos black label.

Sabe...

Arte faz um pedaço de pão borrar a mesa da tradicional familia mineira.
Arte faz progresso, no bronho-atelier dos caretas.

Um artista me disse para que eu preferisse os aquareláveis, quando comprei.

Mas não sei porque o fiz, já que uso em papel, e não posso molhá-lo.

Além disso, comprei daqueles que vem uma cor em cada extremidade do lápis, porque era mais barato.

E isso tudo é verdade...

Domingo, Junho 10, 2007

um salmo salgado

Ando na ala esquerda com um cu,
e na direita com uma modelo.

O cu,
se fosse esperto,
não assentava,
assim,
como que regendo um navio de obreiros.

A modelo,
se insistisse muito,
seria um ótimo auto-conselho.

Na porta da esperança neo-secular & anti-dominical,
se pedirmos com carinho e covardia,
sobra beleza e traseiro...

Entusiasmo grego


A bordo de um acidente grego,
fez que alimentava o nó de pólvora,
o torturante,
como a ração diária ao sofista mea culpa :
como o bom & velho
noves fora...

Ora,
incidente avasculado,
como pode degenerar na pelve aquilo que do inverno restrinjo e calo ?

Ora,
inadimplência em peito estendida,
fez que não me quis ao deixar Lúcia a bordo de uma garrafa de pivetes?

- Pivetes envelhecidos no sebo das escolinhas,
na matriz engordurada de polivinil semi-alfabetizado -

Quanto mais pronunciada a cuca,
mais o tiro foge pela molestada:

De abrir Lúcia na próxima manhã,
com cafezinho & chapa quente,
na avenida dos Augustos & cartolas.

Sábado, Junho 02, 2007

pedigree

a receita azul em seu bolso, ah,
cocota,
e a nota de drogaria em si maior,
não curtindo o barato em meus ouvidos de fome:

1 antiácido
1 pacote de Prudence morango
1 Rivotril 2 mg

Seu pedigree está na boca, cega,
debaixo da língua,
queimando na estasia de meu alcance.

o mundo ainda é bom, sexy sadie:

se casa quer mola.
se franga quer foda.
se posa quer fama.
se morre quer samba...

Quinta-feira, Maio 31, 2007

O infinitivo é doce

Deveria é se encontrar com o instinto,
com o malhado preto,
no descolado branco,
- como no espelho do trottoir motelístico -
para um tour circense & um café-com-prosa,
na tentativa franca & fraca de procurar na agenda estática:
o telefone dos lamentos,
na secretária dos atrasos.

- sem as mágoas de encontrá-la nua,
ao lado,
de um populoso fascínio que enche seus olhos de luz,
mas antes de tudo,
enche as mãos de trabalho -

Serviria sim como a magnífica e étnico-híbrida ampulheta matutina,
que esgota a sílica ao saciar do dia,
com os aparelhos móveis a trocarem o fisiológico por ondas
sadomagnéticas.

Insistiria sim
a bunda em seu recato
- trintão recato -
amarrado em roscas de cabelo & crepe,
na organoléptica insistência de materializar o que no coração se dá por facadas.

As vezes ele sabe que é razão,
recebendo por torpedos os tabefes da lógica.

As vezes ela sabe que é fraldinha,
recebendo pelo orgânico aquilo que a umidifica,
irrita,
abre as pernas,
e ainda é eleito "cansaço"...

Sábado, Maio 26, 2007

Intrépido cortejo

...estes falsos panfletários,
no couro, alfinetando imagens de uma pitoresca intenção guardada:

a de congelar relacionamentos na gaveta de frios,
e desabotoá-los quando necessário.

acontece do homem submeter a páródia do intento a um momento de cinco horas amável & leitoso,
como se fazem os momentos amalgamados na cera justa dos bons causos.

- ora pois, que lancinante, garoto cansado;
queres a justiça de uma trepa trocando o seu material oblíquo pelo que há debaixo do meu casaco ?

Não somente na dança fantasiosa da adequação reside a permissiva do contentamento,
uma vez que o tesão de prosear com todo cuidado
guarda, com zelo e trato,
a sobremesa do arrependimento.


"e ela para, espivitada, com o sorriso de garrafas cinquentonas & escandinavas,
como o sabonete que escolheu a dedo na navalha,
e com o som pipocante das vinte e três horas escavadas na cidade das matracas.

Como pode, capitão,
perder a rigidez da competência no momento exato de abraçar a causa?

Uns somente querem o peso das manias,
outros querem um beijo de calçada...

Todos na monção do intrépido cortejo,
o mesmo,
que acontece ao esperarmos sentados,
na ansiedade dos quinze anos que não passou nem passará,
com a malemolência de baionetas & fagotes...

Sábado, Maio 19, 2007

manual para sair do manual


...

- sou também um bom analista comportamental.

- não duvido.

- enfim, mulher tem que pegar direito,
para não dar espaço para outro que faça isso,
não pode deixar essa brecha...
...que é por ai que o inimigo entra.

- o inimigo entra pelo cu.

- então, por isso, o cu se pede na terceira trepa.
Depois de na segunda "sondar" com o dedo médio, que é um eficaz remédio.
E, na segunda, escute, na segunda trepa, já a chupe direito, do início ao fim... Isso é claro, se não tiver intimidade e vontade para ser feito na primeira.
Porque quando se chupa a mulher na primeira,
é batata

- é.

- e ai, desce uma, desce mais... entendeu?

- Ok, você venceu.

Thiago Chaves Camargos, nono período de engenharia metalúrgica, estagiário da V&M Tubes, ocultismo e farto pedantismo erótico no campo das vertentes, maio de 2007.

rondó do inferninho hormonal

Inferninho cantarolante,
duas calças jeans, blusinha de algodão em malha envenenada:
crua,
na anti-flexibilidade
da intenção desnuda.

Flerte simpaticomimético,
de atrasar o coração na velocidade oxidante de duzentos batimentos.

Flerte atarentado,
de estragar broas & figurões por trouxinhas de cuecas acinzentadas.

Novamente enruste o sorriso cadela-frouxa
na maciez sacramentada do batonzinho vermelho,
tagarelando ao que não quer
o mais-ou-menos que ainda consegue articular...

Inferninho apaixonante,
se requebra nos quase trinta anos amarrados,
mas formigando as mãos como nunca antes arriscara!

Progeresterona de merda...

- Tentou tirar o peito pra fora da blusa,
fez da bunda dela uma bola de cristal para seu futuro?

...Porque se não fez isso, vai perdê-la.

Segunda-feira, Maio 14, 2007

rondó da ferramenta sentimental

...ela se queria tanto, tanto baby, tanto,
que escorria em lágrimas,
com as pernas bambas de melancolia Perriet,
gelo e limão, Perriet, guardanapo no colo e anel no dedão:
"Perriet, bon jour,
e a carta de vinhos por favor ?"

Mas, como,
linda, de chapinha em franja,
de chapéu,
galocha,
comover papai ?

Ora, fosse assim tão bom,
nas lágrimas anoitecer de boca,
choramingando baixo,
um neném, dois nenéns, três pidões babando pela comoção das pernas,
que de tão bambas,
sambam....

Ocasiona um flerte, com um selo em riste,
de que 25 cents carimbados de merda não vão lhe pagar cada sentada:
"Calhorda, ora quis comer,
ora quis o jardim de Alice,
ora, inebriado,
não sabia mais onde as mãos se colocavam..."

- E se dispunham em um flamboyant relaxado de pernas contra o espelho do teto -

E no enlace desajustado da menina que preteriu a cautela por um chapéu,
sair abraçando ferramentas,
que mais cortam
- do que consertam -
é pedir com força
ao papai do céu,
uma foda de marmelo:

Se não cozinha,
se não tem o condimento,
azeda no estômago,
e retorna ao mesmo !

Como faz o bom & travado mancebo...

Domingo, Maio 06, 2007

Acalanto a sangue frio


Erguido por qualquer uma destas crianças loiras e temperadas,
formiguinhas vadias de natureza deliciosamente harmônica,
que lhe invadem o íntimo de cada alvorada
com as gargalhadas da vítrea juventude em botão,
hoje juventude amarela e quiescente,
por ele pouco relembrada (e mesmo que a criança medíocre, serpente ondulante a passear pelo casebre acanhado, ressurja em ímpeto desbravador da consciência há muito adormecida, os blocos maciços do infortúnio insistem em separá-lo daquilo que, outrora, o pertencia, como pertencemos,
tacanhos,
no fulgor do fanatismo monoteísta, a um único ente revelador, maior e talvez superior em causa e princípio).

Sustenta resignado o fardo quasi mortem,
a pedra fundamental de sua peregrinação terrena em favor daquilo que, de natural, o homem realiza e empreende;
o arcabouço temporário a limitar indefinidamente qualquer possibilidade de um dia ser asa, vôo impresso nas imagens vetoriais que rearranja ao manejar os porta-retratos,
já e para sempre estrangeiros,
com o desgosto peculiar daqueles que, renegados, consentem. Relaxa a musculatura lombar com um espreguiçar forçoso, o suficiente para despertar a mesma musculatura que redescobre Hyldon no rádio-relógio antiquado e dèmodè, assim como toda fração ar / ambiente que azeda sua invisibilidade social há degradantes dez anos.

Urinar, comer, banhar-se. Sua essência fisiológica extirpada em promissórias. Sem o tato e a sensibilidade modular que seu leito material imprime, convive em um divisor vazio de sensações agora somente possíveis quando adotadas, ou quando conseguem se encontrar em qualquer um dos substratos cefálicos que ainda permitem a invasão de estímulos sensoriais que não aqueles acompanhados pela nudez acinzentada da derradeira falência existencial.

Pulverizou T7 sem noticiar-se de que àquela altura era em demasia inoportuna para se alçar o vôo do desprendimento. Sem noticiar-se que ainda somos capazes de permanecer no solo dos infernos sem alguns dos componentes anatômicos que o Deus rococó modelou com o barro das mazelas, agora padece em duas rodas, no conforto da imobilidade a jusante.

A cortina berra, e é oito e trinta da manhã, junto com as crianças loiras que gritam cantigas inebriantes, mântricas, desencontradas.
Na camisa abotoada, de brim azul marinho fosco, um bottom daquele band-leader britânico que, acredita, apenas não conseguiu correr.
Correr, usar isto aí que lhe sobra, os membros que se dobram, e seria sempre ressureição e glória. Carregada, limpa e indefectível: a solução para todas as manhãs desta vez vai acordar logo após seu executor.
Aconchegante na caixa de sapatos e bem resolvida em um brilho metálico, seu opus tem calibre, e ressoa um acalanto que não o fazia chorar desde a última vez em que reconheceu amor em sua meia-vida.

Como somente podem crianças e este cheiro de virilha...

Diferente do acalanto a sangue frio em que a vizinhaça, subitamente, se viu envolvida naquela justa hora.

eXTReMe Tracker